Perfume Exótico
Quando eu a dormitar, num íntimo abandono,
Respiro o doce olor do teu colo abrasante,
Vejo desenrolar paisagem deslumbrante
Na auréola de luz d'um triste sol de outono;
Um éden terreal, uma indolente ilha
Com plantas tropicais e frutos saborosos;
Onde há homens gentis, fortes e vigorosos,
E mulher's cujo olhar honesto maravilha.
Conduz-me o teu perfume às paragens mais belas;
Vejo um porto ideal cheio de caravelas
Vindas de percorrer países estrangeiros;
E o perfume subtil do verde tamarindo,
Que circula no ar e que eu vou exaurindo,
Vem juntar-se em minh'alma à voz dos marinheiros.
Charles Baudelaire, in As Flores do Mal (tradução de Delfim Guimarães).
Domingo, 5 de Julho de 2009
Terça-feira, 26 de Maio de 2009
Memorando
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Ecos do mundo
Segunda-feira, 11 de Maio de 2009
Casa (II)
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Ecos do mundo
Terça-feira, 28 de Abril de 2009
Casa
Entrar na casa como num poema de Sophia: branco, quase transparente, corredor de luz.
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Ecos do mundo
Quinta-feira, 23 de Abril de 2009
Amar, Ensinar, Criar
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Ecos do mundo
Segunda-feira, 20 de Abril de 2009
Leituras
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Ecos do mundo
Terça-feira, 14 de Abril de 2009
Será?
Os médicos suspeitavam que o paciente tinha cancro nos pulmões. Surpreendentemente, quando os médicos estavam a operar Artyom, para retirar o suposto tumor maligno, verificaram que não se tratava de cancro mas sim de uma pequena árvore a crescer dentro do pulmão, segundo informa o sítio online do jornal “ABC”.
De acordo com o diário "Komsomolskaya Pravda", após a cirurgia, nos Montes Urais na Rússia ocidental, os médicos acreditam que Sidorkin pode ter inalado uma semente de abeto e que começou a crescer dentro do seu corpo.
O russo, quando confrontado com o relatório dos especialistas, nem queria acreditar. Pensou que “estava a delirar”, noticia o “Globo.com”, quando lhe disseram que tinha sido encontrada uma árvore num dos pulmões.
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Ecos do mundo
Domingo, 12 de Abril de 2009
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Segunda-feira, 6 de Abril de 2009
O Colo e o Gume
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Ecos do mundo
Quinta-feira, 2 de Abril de 2009
O Peixinho Sonhador
Era uma vez um homem chamado André que vivia numa cabana de vidro ao pé do lago. O André gostava muito de passear à beira do lago, ao fim da tarde mesmo antes do pôr-do-sol, porque todos os dias, àquela hora, cantava o Peixinho Sonhador que habitava as águas profundas – e nesse canto o André encontrava um sentido cheio e total para vida que levava, sozinho na cabana de vidro. Era um canto fresco e luminoso, acompanhado de palavras que todos os seres vivos entendiam (mas nenhum tentava traduzir), feitas de sílabas originais, dos tempos em que até os vulcões falavam. Só ouvia, enquanto caminhava, integralmente submerso no canto do Peixinho Sonhador. Não pensava nem imaginava, mas por vezes parava de andar e ficava muito atento às pequenas ondas que o canto do Peixinho Sonhador provocava na superfície branda do lago. No final daquela cerimónia celebrada pelo Peixinho Sonhador, todos os dias ao fim da tarde mesmo antes do pôr-do-sol, o André dizia para consigo: «Sei o que é a Felicidade, embora a palavra não seja bem essa.» E voltava para a cabana de vidro, onde à noite as próprias estrelas desciam um pouquinho da sua altura divina para lhe alumiarem a mesa, a cadeira e a cama, sabendo, dentro do coração, que cada segundo da sua vida era precioso e único, porque a vida dele era feita de muitos segundos que nunca mais se repetiam.
Uma tarde, mesmo antes do pôr-do-sol, o André dirigiu-se para a beira do lago, pronto para o concerto daquele dia, mas nada ouviu. Esperou, esperou, esperou... até lhe doerem as pernas e as costas e os olhos e a cabeça de tanto esperar de pé, mas o Peixinho Sonhador não cantou. E o André ficou tão triste, tão triste mesmo, que se sentou na terra e chorou. E, como acontece com todas as pessoas que choram sinceramente, naquelas alturas em que parece que têm dentro de si um lago que não descansa enquanto não transborda para fora das margens em que se sente preso, o André acabou por adormecer em cima da terra, à beira do lago, rodeado das flores e das ervas que livremente cresciam por ali, indiferentes à tristeza tão sentida daquele homem que vivia numa cabana de vidro. E, como acontece com muitas pessoas que adormecem obsessivamente concentradas num problema que têm, o André sonhou.
Todos desconhecem o que ele sonhou – mesmo as flores e as ervas que crescem livremente à beira do lago e que nunca estão tristes nem contentes (como sabem os poetas e os filósofos e os filósofos-poetas e os poetas-filósofos, que parecem ser a mesma coisa mas são coisas totalmente diferentes) –, mas, quando o André acordou, naquele momento em que a noite está moribunda e em que o dia ainda não ressuscitou completamente, a paisagem tinha mudado: no sítio do lago havia, agora, um vasto pomar de laranjeiras carregadinhas de grandes laranjas perfumadas e que pareciam muito sumarentas. O André levantou-se, sem sequer sacudir a terra que tinha ficado agarrada a si, e entrou pelo laranjal adentro, maravilhado com aquela dádiva de origem desconhecida. Reparando, então, que não comia há muitas horas, porque tinha adormecido à beira do lago a chorar, estendeu a mão e apanhou uma laranja, sem encontrar nenhuma resistência no ramo coberto de folhas verdinhas a que ela estava agarrada. Ocupou-se, então, a descascá-la muito respeitosamente e, assim que a despiu da casca e daqueles fiozinhos brancos que tornam a carne das laranjas tão enrugadinha, começou a meter os gomos um a um na boca e a mastigar lentamente, sentindo a polpa e o sumo a escorrerem-lhe pela garganta seca e a deixarem-lhe na boca um rasto de prazer. Depois da primeira, apanhou outra e repetiu minuciosamente o processo todo, até ficar saciado.
De repente, sem que percebesse donde nem como nem porquê, levantou-se da terra e das pedras e das ervas e das árvores e de tudo quanto existia um canto que ele reconheceu imediatamente, porque tinha a mesma melodia e as mesmas palavras antigas da ária que o Peixinho Sonhador costumava cantar. E o André dedicou-se a ouvir, sem pensar nem imaginar, mas muito atento às pequenas ondas que se formavam na superfície branda do ar – e a que muita gente ignorante chama brisa. Quando aquela extraordinária sinfonia acabou, o André disse para consigo: «Já sei outra vez o que é a Felicidade, embora a palavra não seja bem essa.»
E regressou à cabana de vidro, muito determinado a voltar à beira do pomar ou do lago ou do que viesse a encontrar naquele local, àquela hora do fim da tarde mesmo antes do pôr-do-sol.
Houve quem lhe visse um discreto sorriso nos lábios, enquanto caminhava. Nem todos sabem, contudo, que tal se devia ao facto de o André ter tido a revelação de que, afinal, sempre que quisesse, o Peixinho Sonhador cantaria dentro de si, submerso nas profundezas das águas que todos os seres humanos transportam consigo. E, como é muito difícil ouvir aquele canto, mesmo quando se descobre que ele habita dentro de tudo o que existe, temos de encontrar um sítio e uma hora especial para que o concerto do Peixinho Sonhador se ouça nitidamente e sem nenhum interferência. Para que todos possamos constatar, como o André: «Sei o que é a Felicidade, embora a palavra não seja bem essa.»
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1 Ecos do mundo
Segunda-feira, 23 de Março de 2009
Navegas o mar alto na doença do orgulho, entre ti e ti as sombras do medo e da vergonha.
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Domingo, 22 de Março de 2009
Verão
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Quinta-feira, 19 de Março de 2009
Luto duma Família de Actores
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Quinta-feira, 12 de Março de 2009
Hipótese
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Domingo, 8 de Março de 2009
Dia Internacional das Mulheres (4): E Para Finalizar
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Dia Internacional das Mulheres (3): Thomas Beatie
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Dia Internacional das Mulheres (2): Manuel Varela
Quando iniciou o curso de Manicure, Manuel era o único aluno no meio de tantas mulheres. "No início do curso achavam estranho estar lá um homem, mas depois começaram a achar normal e, apesar de gozarem, ajudavam bastante", contou, admitindo também que nunca se sentiu incomodado.
Vindo de Cabo Verde para Portugal aos cinco anos, começou a trabalhar aos 18. Trabalhou nas obras, vendeu peixe, pintou barcos e foi motorista, mas confessa que, inconscientemente, sempre teve um cuidado especial com as mãos. "Sempre usei luvas para trabalhar, fosse nas obras, a vender peixe ou a pintar barcos. Era para as mãos não gretarem."
O manicure da Amadora confessa que nunca fala da sua nova profissão aos amigos e por vezes até os desafia a adivinharem o trabalho que faz, mas até agora nunca acertaram.
O jovem de 31 anos dá sempre conselhos às suas clientes e admite que a sua cor preferida é o vermelho, porque "fica muito bem nas unhas".
Diário de Notícias, 8/3/2009
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Dia Internacional das Mulheres (1): Uma Lenda
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